"Escavações" é uma experimentação artística realizada pelo Coletivo Fabulografias, ligado ao Laboratório de Estudos Audiovisuais - OLHO da Faculdade de Educação - Universidade Estadual de Campinas - Unicamp (SP), exposta em 2015 no Museu da Imagem e Som de Campinas - SP na Mostra "Aparições" organizada pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo - LABJOR - Unicamp. Inspirados nas fotografias de Francesca Woodman, nas imagens de Tom Lisboa (Palimpsestos) e Leila Danzinger (Todos os nomes da melancolia) em obras que tem como suporte o papel jornal, e pela poesia Escova, de Manoel de Barros, o Coletivo Fabulografias propõe nesta exposição pensar uma intervenção pela poética do fragmento e fazer surgir das palavras-jornal o indizível e o insuportável. As produções imagéticas foram disparadas por minicontos escritos pelo Coletivo Fabulografias a partir de encontros dos pesquisadores-artistas com grupos minoritários: moradores de rua, profissionais do sexo, trabalhadores dos serviços de limpeza da universidade, indígenas... A partir dos contos lançamo-nos as produções imagéticas com o jornal, escavando nas matérias jornalísticas as narrativas que não se fazem presente, esvaziando as letras e palavras e imagens e compondo uma narrativa poética que faz pulsar o silenciamento e a invisibilidade.

Marli Wunder assina a capa da Revista Observatório - Dossiê Pós-verdade, escrita e....

oferecem matérias-tempo

em que pulsa a terceira infância

que não é do corpo da criança

nem da vivência do filho

mas da cria do encontro

brilhante prata

areia pântano

deserto

esculturas-árvores em suaves grãos

bordando a praia com reflexos de luz

balanço do mar suave onda

dança das águas

renda branca

paisagem transformada

Resultado de uma oficina experimental coletiva realizada na cidade de São João Del Rei.

Ensaio fotográfico publicado no artigo de Rosana Batistela escrito a partir de encontros de experimentações de leitura do trabalho de doutorado “Leitura, Corpo e Memória: percepções, recepções e reverberações” - Faculdade de Educação – Unicamp realizado  com Fredyson Cunha, Érica Cunha, Daniel Costa, Alik Wunder e Neusa Aguiar. Nas dobras da palavra em gestos, a fotografia dilui corpos e dança no silêncio informe da memória. Encontros entre leituras, corpos, memórias... uma lente, um olho vibrátil aberto as reverberações de cada palavra, de cada gesto e murmúrios de infância.

Dois mergulhos pelas superfícies de uma cidade: Porto, Portugal. A partir de fotografias realizadas no ano de 2007, as duas fotógrafas, autoras deste ensaio, exercitam uma escrita em fragmentos no encontro com as intensidades das imagens: fotografias de escritos em opacos muros, por Alik Wunder, e de vitrines em vertigem, por Marli Wunder. Deslizes pelo fora-dentro das texturas lisas da líquida cidade, deslizes táteis por traços anônimos: a aspereza das letras que fazem da rua delicada poesia. Um ensaio que deseja produzir pensamentos sobre a fotografia e a escrita no interior de suas forças de fabulação e de desequilíbrio do efeito realístico que tanto se quer dar às imagens e às palavras. A potência política da fotografia como ficção do tempo é pensada aqui em imagens que se utilizam de efeitos de pós-produção como recortes e composição, criando falsificantes esquinas, e outras que, sem utilizar tais processos, arremessam-nos, no instante do clique fotográfico, a superfícies sobrepostas e ambíguas de uma vítrea cidade. Pode-se pensar, assim, que a política da imagem fotográfica como ficção, acentuada na era da digitalização, está menos ligada às novas possibilidades tecnológicas e mais a uma certa relação com a fotografia e com a linguagem. A fotografia e a escrita como gestos de fabular o tempo.
(Marli Wunder e Alik Wunder)

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